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Faça uma campanha de marketing por email livre de spam

Esta é a lição N.4 que trata de OPT-IN.

A primeira lição trouxe um resumo de todas as lições. A lição N.2 tratou de SPAM e o assunto da lição N.3 foi OPT-OUT.

Opt-in

A boa notícia é que você pode conduzir campanhas de marketing por e-mail bem-sucedidas sem causar um volume significativo de reclamações por parte dos clientes e sem desperdiçar "largura de banda". Basta adotar a política correta, conhecida pelo nome de opt-in.

Ao contrário do opt-out, a idéia básica do opt-in é que o cliente "pede para entrar". Ou seja, quem recebe e-mails da empresa são apenas aquelas pessoas que já indicaram explicitamente seu interesse nos produtos e serviços oferecidos. Uma situação típica de opt-in seria a seguinte: os consumidores que visitam o Web site da empresa preenchem formulários online, cadastrando-se para comprar produtos, assinar informativos online ou inscrever-se em outros eventos da Internet. Fornecem todos dados de que você precisa (nome, endereço postal, número de telefone, endereço de e-mail e outros dados demográficos), mas o formulário inclui um campo especial que diz algo assim: "Concordo em receber informações sobre novidades, atualizações e ofertas especiais desta empresa." Este campo contém uma caixinha em que o usuário só clica se concorda. Portanto, o método opt-in permite ao cliente escolher se quer ou não quer receber e-mails da empresa. Mais importante, o cliente sabe que pode optar pela inclusão nesse momento.

Bem, digamos que a maioria sabe que pode optar. Por várias razões (o olhar salta por cima do item sobre permissão, a pessoa não lê o texto com cuidado etc.), alguns usuários não prestam atenção ao aviso sobre o direito de optar pela inclusão na lista. Portanto, cabe a você tomar uma decisão. Você pressupõe que os visitantes do site desejam receber seus e-mails, ou que pelo menos não terão objeções, de modo que seria melhor para todos (você e eles) ticar a caixinha em nome dos clientes mesmo quando esquecem de fazê-lo? Ou você prefere diminuir o risco de irritar aqueles que eventualmente possam considerar-se vítimas do spamming, não enviando e-mails a qualquer usuário antes que tome a iniciativa de pelo menos clicar na caixinha com o cursor? Em termos puramente práticos, a probabilidade de receber reclamações será maior se você pressupor que todos queiram receber e-mails, mesmo que não tenham preenchido o campo da opção.

A falta de atenção que resulta na percepção do spam não é o único risco que você corre com um esquema de opt-in desse tipo. Haverá outros clientes ainda que sabem perfeitamente bem que você lhes está informando da possibilidade de indicar a preferência por receber e-mails de sua empresa mas, por não confiar em você, fornecem endereços falso de e-mail mesmo assim. Lembre-se daquele dado estatístico de que 64 por cento dos clientes online tendem a não confiar em qualquer Web site, mesmo quando promove uma política de privacidade? Essa realidade não mudou nos cinco minutos desde que você começou a ler este artigo.

Entretanto, existe uma solução melhor: chama-se opt-in confirmado.

Certamente o opt-in é melhor do que o opt-out, mas ainda assim pode criar problemas. Por exemplo, um executivo da America Online diz que é incluído em muitas listas opt-in por engano porque tem um endereço de e-mail "comum": jay@aol.com.

"Recebo muito menos spam do que mensagens enviadas erroneamente a partir de listas de mailing em que o meu endereço foi incluído por engano. Dá muita dor de cabeça excluir meu nome das listas. Muitas vezes os mecanismos de exclusão não funcionam e os seres humanos responsáveis não podem ou não conseguem responder aos e-mails que mando," diz Jay Levitt, arquiteto-chefe de sistemas de correio da America Online. "Recentemente, um importante site financeiro criou uma carteira de ações com o meu endereço de e-mail [sem o meu consentimento]. A atendente de suporte técnico me disse que NÃO PODIA acessar a conta [para me excluir da lista] por causa da política de privacidade. Após três tentativas em que fui obrigado a repetir que não era o titular da conta e não sabia a senha nem o nome da conta, finalmente ela acabou me dando a senha para que eu mesmo atualizasse o perfil. Alterei os dados para que ela recebesse todos os e-mails."

Se existe alguém que você não deve irritar com práticas desleixadas de e-mail, esse alguém é o principal desenvolvedor de sistemas de e-mail da America Online. Qual é a cura para depressão causada por e-mails enviados à pessoa errada? Sempre verificar os endereços de e-mail por opt-in, fornecendo aos destinatários um método fácil de confirmar sua participação da lista antes de colocá-los permanentemente no banco de dados.

Opt-in Confirmado

O opt-in confirmado é o tipo de marketing por e-mail mais recomendável, porque é a maneira mais confiável de construir um banco de dados com clientes que desejam receber e-mails de sua empresa. A probabilidade de haver reclamações cai dramaticamente. Seu banco de dados por endereços de e-mail é saudável e tem uma boa chance de dar retorno.

Há dois tipos de opt-in confirmado: o "passivo" e o "ativo". Cada um começa exatamente como o processo normal, mas há um passo final que aumenta significativamente sua eficiência como ferramenta. Embora se tenha perguntado a cada visitante se quer receber e-mails, é necessário fazer um follow-up para (a) garantir que os endereços de e-mail contidos no banco de dados pertencem a pessoas reais e (b) estabelecer um relacionamento antes que o cliente esqueça que optou pela inclusão.

No cenário passivo, você envia um e-mail de boas vindas logo depois que o cliente entrou para a lista. Se a mensagem voltar, você já elimina o endereço falso. Mas o método não é totalmente confiável: alguém pode ter incluído outra pessoa na lista, talvez até sem querer, ou um cliente pode ter deixado de notar um item que dá permissão automaticamente a não ser que seja deliberadamente desativado. Portanto, para implementar o esquema de opt-in da maneira mais completa possível, você precisa adotar a abordagem denominada de "opt-in confirmado ativo".

Depois que o cliente optou por incluir-se na lista, confirme a opção enviando um e-mail com um pedido de confirmação e ative a inclusão na lista apenas quando o cliente já efetuou a ação solicitada. Há dois tipos de ação nesse caso. Por exemplo, você pode projetar seu Web site de tal forma que gere um identificador especifico a ser armazenado no banco de dados assim que o usuário se cadastrar no site. O e-mail que você enviar incluirá esse identificador na forma de um hyperlink para o Web site. Quando o destinatário clicar no hyperlink, sua inclusão na lista será imediatamente confirmada. Alternativamente, você pode criar a lista de tal forma que simplesmente por responder ao e-mail recebido, o usuário confirma seu desejo de fazer parte da lista. Para maior conveniência, geralmente é uma boa idéia oferecer ambas as formas.

As vantagens do opt-in confirmado são evidentes. Descobrem-se e eliminam-se imediatamente os endereços de e-mail falsos (via devoluções de mensagens). Qualquer endereço falso que porventura pertença a uma conta verdadeira também é eliminado. Você está em condições de garantir que o banco de dados contenha somente pessoas interessadas nos produtos e serviços da empresa. Além disso, você melhora sua reputação online, o que só pode ser bom para os negócios.

O opt-in confirmado não é perfeito: até certo ponto, coloca o ônus no consumidor, que tem de tomar a iniciativa quanto à inclusão na lista. Assim, existe a possibilidade de que alguns clientes legítimos escapem à rede. Todavia, no clima atual do marketing por e-mail é melhor correr esse risco calculado do que agir de uma maneira que possa ser percebida como spamming.

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Figura 4 - O opt-in confirmado passo a passo

Administração da Lista

Para ser eficaz, o opt-in confirmado precisa envolver mais do que a conquista de novos inscritos. Como em qualquer empreendimento de marketing, uma campanha bem-sucedida baseada no opt-in confirmado precisa também de boa manutenção e gestão contínua.

Uma das primeiras decisões que você terá de tomar é determinar quem será responsável pela administração da lista. Antes de optar pela administração interna, leve em conta o tamanho do banco de dados e seu provável crescimento, a quantidade de treinamento que os administradores já têm (ou terão de ter), a escalabilidade de sua solução, a capacidade de armazenamento que você possui e se existe a possibilidade de operar o sistema de cadastramento ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana (as pessoas podem utilizar o site de madrugada).

Se por outro lado você estiver pensando em terceirizar a operação do banco de dados para e-mail, é melhor começar imediatamente. "Comece a procurar o operador agora," incentiva um estudo da Forrester Research de março de 1999. "Os marqueteiros não podem chegar atrasados ao jogo de e-mail opt-in, por duas razões: (1) os concorrentes que chegarem primeiro conquistarão a lealdade dos clientes; (2) em breve haverá um bombardeio tão grande de mensagens que os novos entrantes podem não ter vez. Procure contratar especialistas externos para tomar a iniciativa sem demora."

Mas independentemente de quem opera o sistema de mensagens, a lista terá de ser controlada da maneira certa. Em primeiro lugar, isso significa aplicar a seguinte regra simples:

NÃO VENDA NEM ALUGUE SUA LISTA!

Sua lista é um ativo que só você deve usar. Se quiser gerar receita adicional a partir de fontes outras que suas próprias ofertas, permita aos usuários optar por receber ofertas de parceiros. Em outras palavras, crie oportunidades de associação entre marcas que beneficiem os consumidores. Caso escolha esse caminho, assegure-se de que você detenha o controle sobre o envio de e-mails e de que a apresentação de outras marcas seja feita por sua empresa. Por exemplo, envie uma mensagem que começa assim: "Já que você optou por receber ofertas de promoções de nossas parceiros preferidos, temos o prazer de apresentar uma oferta especial da Empresa XYZ." Você também pode pedir ao parceiro conceder exclusividade dessa oferta por um prazo limitado, pois restringir a oferta aos clientes de sua empresa aumenta o valor da opção pela inclusão em sua lista.

Outra maneira de aumentar o valor da opção pela inclusão feita por seus clientes é garantir que cada mensagem de e-mail tenha valor intrínseco. Não sobrecarregue os destinatários com um volume excessivo de mensagens. É importante que sintam prazer em receber e-mails da empresa em vez de colocá-los imediatamente no lixo para limpar suas caixas de entrada. Aborde o cliente com suavidade, evitando uma quantidade excessiva de promessas e formatando a mensagem para que fale com ele ao invés de gritar. Por exemplo, não utilize muitas maiúsculas e minimize as repetições.

Outra regra útil é responder rapidamente às consultas feitas por clientes através de e-mails. Isso demonstra o valor que eles têm para você e realça o fato de que há seres humanos de carne e osso por trás da tecnologia.

Por fim, reconheça que os padrões adotados pela comunidade e estipulados na legislação sobre o uso comercial de e-mail continuarão a evoluir. Faça com que essa evolução seja acompanhada de perto pelos administradores dos relacionamentos mantidos via e-mail com os clientes de sua empresa. Essa recomendação vale igualmente para administradores internos ou externos.

Promoção da Lista

Muito bem, se você já decidiu que vai adotar a abordagem do opt-in confirmado, vejamos a melhor maneira de implementar essa decisão. O primeiro passo deve ser identificar pessoas que queiram inscrever-se na lista. Ninguém pode inscrever-se a não ser que tenha ouvido falar da empresa. A promoção é uma parte importante de qualquer campanha de marketing por e-mail. Há métodos responsáveis para incrementar uma lista. (Dica: esses métodos não incluem o envio maciço de e-mails não solicitados aos newsgroups com mensagens sobre o Web site da empresa e seu formulário do tipo opt-in — pois fazer isso seria incorrer no erro do spam!)

Embora haja várias maneiras garantidas de fazer sua lista crescer até que atinja o tamanho ótimo, talvez a prática mais eficaz seja a de promover sua campanha por e-mail em todas as páginas do próprio Web site da empresa. Os visitantes do site já devem estar interessados, simplesmente porque tomaram o tempo de visitá-lo. Aproveite-se desse interesse colocando um botão para inscrição na lista em locais estratégicos, como o pé da home page ou a página principal sobre produtos ou serviços.

Outra ferramenta eficaz é oferecer algo de valor em troca do fornecimento de informações pessoais — algo que o cliente em potencial perceba como suficiente valioso para estar disposto a dar seu verdadeiro endereço de e-mail. Seria bom se os consumidores fornecessem seus endereços de e-mail a torto e a direito, mas não é o caso — querem informações práticas, um brinde, um cupom ou alguma outra coisa útil em troca de um pouco de sua privacidade. Não esqueça de prosseguir com essa política, sempre oferecendo algo de real valor em cada mensagem. Se não, seu e-mail irá direto para o lixo.

Desde que você ofereça algo de real valor, a maioria dos assinantes atuais geralmente está perfeitamente disposta a ajudar você a incrementar sua lista de mailing. Pode ser bastante eficaz implantar um programa de recomendações, pelo qual quem já está na lista recebe algum benefício por recomendar a inclusão de outras pessoas. Mas há riscos também. Se não for bem feito, os próprios assinantes podem acabar fazendo spamming, enviando um grande número de e-mails aos amigos na esperança de conseguir alguma coisa. Por isso, é melhor não oferecer "prêmios" ilimitados (algum benefício por cada dez pessoas recomendadas), e sim limitar de alguma maneira os benefícios oferecidos. Você pode oferecer algo a quem convencer cinco pessoas a se inscreverem e nada mais, por exemplo. É claro que você precisa verificar o cumprimento das práticas de opt-in confirmado que você estabeleceu. Não pressuponha automaticamente que os endereços de e-mail fornecidos são legítimos, porque qualquer pessoa é capaz de inventar cinco endereços falsos para inclusão numa lista.

Além disso, não deixe de utilizar os mecanismos promocionais existentes. Sua empresa tem pontos de presença físicos além de virtuais? Então, coloque cartões de resposta nas lojas e envie confirmações ("Obrigado por visitar nossa loja") que lembrem aos usuários como foram incluídos na lista. A empresa tem anúncios na Web, do tipo "banner", ou outras promoções online? Uma pessoa que se torna assinante porque clica num banner vale mais do que uma pessoa que visitou o site da empresa por acaso: portanto, utilize a lista de e-mail como chamariz. Em vez de um simples aviso que diga "Veja esta ótima oferta: clique aqui", experimente algo do tipo "Receba as melhores ofertas por e-mail toda semana: clique aqui para tornar-se assinante". Várias pesquisas comprovam que o mero clique num banner raramente leva a uma venda imediata. Ao mesmo tempo, essas pesquisas indicam que quem visita o site clicando num banner "cai na órbita", por assim dizer. Por isso, é importante impedir que o visitante saia da órbita e volte ao ciberespaço por simples inércia. Você pode fazer isso oferecendo incentivos a quem se inscrever na lista de e-mail.

Por fim, deixe que sua lista de mailing fale por si. Se o conteúdo fornecido for realmente interessante, os assinantes irão encarregar-se de contar para amigos e colegas. Veja o exemplo inspirador da lista de mailing da "Piada do Dia" (Joke of the Day). Com pouca promoção além da propaganda boca a boca, esse newsletter financiado por receitas publicitárias cresceu tanto que já tem uma lista altamente lucrativa com mais de 100 mil assinantes.

Manutenção Preventiva

Por mais cuidadoso que você seja na administração de sua lista de opt-in, é inevitável que algo de errado aconteça em algum momento. Uma mensagem inocente que contenha uma palavra ou frase designada como "gatilho" pode disparar um filtro automático contra spam: de repente, suas mensagens estão sendo bloqueadas por certos domínios. Ou um cliente pode ficar com raiva ao se ver preso em um loop infinito numa tentativa de se excluir da lista, divulgando logo em seguida o nome da empresa como spammer no newsgroup em que participa na Internet. Se um problema temporário com seu servidor Web impedir que as pessoas se excluam da lista, mesmo por pouco tempo, você será bombardeado com reclamações de consumidores furiosos.

Seria impossível antever aqui todas as situações que você talvez enfrente, mas podemos identificar certos problemas comuns. Veja algumas das armadilhas e como se prevenir contra elas:

1. Para minimizar o número de erros no envio de e-mails, cada mailing deve ser testado através do envio a um endereço interno. Se a mensagem contiver URLs, clique em cada URL para ter certeza de que o leitor será mesmo levado ao lugar previsto. Caso a mensagem não contenha apenas texto simples (plain text), certifique-se de que a parte em HTML foi escrita corretamente. Ao enviar para assinantes da AOL, verifique os links para certificar-se de que são "clicáveis". Para verificar a validade do caminho de retorno (return path) indicado na mensagem, você pode enviá-la a um endereço interno que sabidamente devolverá a mensagem. Verifique o campo "From" respondendo à mensagem a partir dele, para certificar-se de que o conteúdo desse campo é legítimo e permite o envio automático de resposta. E verifique com cuidado redobrado as instruções sobre exclusão (unsubscribe), para ter certeza de que são claras e válidas. Todas essas precauções ajudarão a garantir que o mailing tenha valor para quem receber a mensagem.

2. Preste atenção à RBL. Como já foi dito, a RBL (Realtime Blackhole List), uma lista negra operada pelo MAPS (Mail Abuse Prevention System, sistema de prevenção ao abuso do e-mail) autoproclama-se "um sistema que causa quedas de rede intencionais" — e não é uma brincadeira. Os administradores da RBL coletam redes que consideram amigáveis ao spam (ou no mínimo neutras). Quase 30 por cento de todos os administradores de sistemas de e-mail assinam a RBL e todos esses assinantes utilizam a lista como filtro automático contra o spam. Veja como alguém acusado de spamming entra para a lista (http://maps.vix.com/rbl/) e como solicitar sua exclusão se for incluído por engano.

3. Crie um endereço para reclamações, do tipo abuso@suaempresa.com, e faça com que seja usado. A entidade RFC2142, que estabelece normas relativas aos endereços eletrônicos usados para serviços comuns, recomenda que toda empresa tenha uma conta para processar reclamações contra comportamentos inapropriados, inclusive o spam. Os atendentes nesse endereço poderão responder às reclamações enviadas por clientes, provedores e outros, ajudando a resolver os problemas levantados. Registre o endereço para reclamações contra abusos com a Network Abuse Clearing House (http://www.abuse.net).

4. Monitore os registros (logs) sobre os envios de e-mails, especialmente quanto ao número de mensagens devolvidas (bounce counts). Os provedores de acesso (ISPs) talvez classifiquem sua empresa como spammer simplesmente levando em conta o volume de e-mails enviados: se algum ISP bloquear você, entre em contato diretamente com o administrador do sistema de e-mail. Não é fácil descobrir que você foi bloqueado — são raros os usuários que enviam reclamações às contas abuso@ ou postmaster@ — mas é sempre bom monitorar os registros do tráfego SMTP e dos bounces (e-mails devolvidos). Um número significativo de bounces em relação a determinado domínio deveria servir de alerta.

Aspectos Legais

Sendo a natureza humana como é, não surpreende que em geral os advogados e tribunais vêm reagindo às atividades da comunidade Internet e não ao contrário. Quando há novas tecnologias no horizonte, nossa sociedade não costuma agir preventivamente, antevendo comportamentos ilegítimos e aprovando leis para coibi-los. Normalmente, só depois de ofendidos pelo comportamento de algum grupo é que agimos coletivamente para introduzir peças legislativas que visam impedir a ocorrência de tal comportamento no futuro. Leis específicas são aprovadas, ações específicas continuam a ocorrer, as ações e as leis são questionadas nos tribunais e, com o passar do tempo, forma-se um conjunto de leis geralmente aceitas.

Pelo menos, não dúvide de que seja assim com relação ao envio de e-mails comerciais não solicitados (UCE), o nome mais formal do spam. Os primeiros casos amplamente noticiados de spam aconteceram nos Estados Unidos em 1994, graças à Canter & Siegel, um escritório de advocacia no Arizona que inundou a Internet com ofertas de assistência jurídica aos imigrantes para obtenção do Green Card, documento que dá direito de residência nos EUA. Os perpetradores foram redondamente condenados aqui nos EUA e em outros países, mas a primeira tentativa de colocar tal comportamento fora da lei aconteceu só três anos depois, em 1997, quando o Nevada tornou-se o primeiro estado a reconhecer a necessidade de se criar um arsenal jurídico para combater os spammers.

Em breve, outros estados seguiram o exemplo do Nevada. No ano seguinte, os estados de Washington e Califórnia também aprovaram leis anti-spam. Até setembro de 1999, mais 11 estados haviam entrado para o clube: Virgínia, West Virgínia, Iowa, Oklahoma, Tennessee, Connecticut, Carolina do Norte, Delaware, Rhode Island, Louisiana e Illinois. Ao todo, esses 14 estados aprovaram 16 leis, inclusive duas cada na Califórnia e em Rhode Island.

O Congresso dos Estados Unidos ainda não aprovou nenhuma legislação sobre a questão, mas quando o fizer, o impacto de leis de âmbito nacional poderá ser bastante grande. Mais de meia dúzia de anteprojetos relativos a muitos aspectos do problema do envio de e-mails comerciais não solicitados estão tramitando na Câmara dos Representantes e no Senado. Neste momento não se sabe ao certo se as futuras leis federais prevalecerão sobre as atuais leis estaduais, ou quais os itens que eventualmente possam ser afetadas.

Além dos anteprojetos específicos referentes ao UCE que estão tramitando no Congresso dos EUA, é possível que outras leis federais venham a ser aplicadas no trato dessa questão. Por exemplo, a atual lei federal em vigor sobre "junk fax", que proíbe o envio de faxes comerciais não solicitados, versa sobre uma questão semelhante, ou seja, o problema de empresas que emitem quantidades maciças de materiais que o consumidor não pediu mas que lhe custam alguma coisa. Nesse caso, os custos correspondem ao papel de fax, aos recursos desperdiçados dos sistemas utilizados etc. No caso do e-mail, pode-se argumentar que o "junk e-mail" custa tempo (o consumidor perde tempo lendo e deletando mensagens não solicitadas) e dinheiro (alguns consumidores pagam por hora ao provedor de acesso), além de outros recursos. De qualquer forma, o spam certamente custa caro aos ISPs em termos do desperdício de armazenamento, largura de banda e recursos humanos — pois tudo isso é necessário para lidar com mensagens fraudulentas (muitas das quais são responsáveis por "double bounces", ou seja, o tipo de engarrafamento causado quando muitas mensagens são devolvidas a endereços falsos e imediatamente re-devolvidas ao ISP, possivelmente causando uma queda do servidor de e-mail) — sem falar das reclamações de seus assinantes.

Até que se crie um consenso nacional, entretanto, o que teremos são as leis estaduais específicas. Desse modo, é bom vermos agora exatamente o que essas leis pretendem fazer, para daí derivar algumas diretrizes gerais sobre o comportamento mais recomendável para uma empresa.

Antes de tudo, porém, este é o lugar apropriado para um aviso importante:

A MessageMedia não é um escritório de advocacia e não oferece assessoria jurídica.

Todavia, o bom senso já dita que de vários pontos de vista — não só legal e moralmente, mas em termos práticos também - é melhor tentar obedecer a legislação em vigor, seja qual for o estado em que sua empresa está sediada. Digamos que esteja sediada no estado de Vermont, que atualmente não tem leis específicas sobre a questão. Se você enviar e-mails a destinatários na Califórnia, é muito mais seguro assegurar-se de estar obedecendo as leis estaduais da Califórnia.

Há dois sabores de leis estaduais relativas ao e-mail comercial não solicitado. O primeiro tipo constitui uma tentativa de regulamentar o envio de mensagens que os destinatários não solicitaram explicitamente, ou ao qual não deram seu consentimento prévio, e o envio de mensagens a indivíduos com os quais a empresa não tem um relacionamento preexistente.

Parece vago? Infelizmente é vago mesmo e quase não há jurisprudência constituída que possa servir de diretriz. Digamos que você tenha uma empresa varejista de equipamentos esportivos. Os clientes que visitam suas lojas cadastram-se para uma lista de mala direta geral sobre o esqui nas Montanhas Rochosas. Os mailings abrangem indicações dos melhores lugares para se visitar, dicas sobre preparo físico etc. O estoque de sua empresa atualmente inclui uma grande quantidade de esquis que você está oferecendo por preços altamente atraentes. Do ponto de vista legal, você tem o direito de enviar mensagens sobre essa oferta aos inscritos na lista geral? Quando o cliente se inscreve na lista, isso significa que consente em receber todos os tipos de e-mail? Ou significa que solicita expressamente determinado tipo de e-mail? E significa que existe um relacionamento?

E não é só isso. Outro elemento da tentativa de regulamentar o e-mail não solicitado tem a ver com o grau de clareza da mensagem e se a mensagem oferece ao destinatário um meio explícito de impedir que mensagens do mesmo tipo lhe sejam enviadas futuramente. Do ponto de vista ético, é aconselhável adotar uma atitude bem transparente no trato com os consumidores. Por exemplo, você deve declarar explicitamente o assunto tratado já no campo "Subject" da mensagem. Se o título da mensagem disser "Assessoria gratuita sobre sua saúde" mas o texto apenas oferecer remédios herbais a preços baixos, a moralidade do procedimento é questionável. Pior ainda, você poderá ter problemas legais, já que algumas leis estaduais sobre UCE requerem que o campo "Subject" contenha uma declaração clara do conteúdo. Além disso, é recomendável por razões éticas que você indique aos destinatários como devem fazer para não receber e-mails futurament e que se assegure de que o meio indicado seja válido. Incluir a frase "Se você recebeu esta mensagem por engano ou gostaria de ser excluído da lista, clique aqui" em uma mensagem não adianta nada se o link em que as pessoas clicarem estiver "morto" (desativado). Algumas leis estaduais sobre UCE exigem esse tipo de recurso para auto-exclusão. É inteligente lembrar-se disso para evitar o risco de fazer algo de ilegal também.

O segundo sabor das leis estaduais sobre UCE está relacionado com a defesa do consumidor. O uso de títulos alegadamente enganosos em e-mails pode ser enquadrado como violação de alguma lei estadual de proteção dos direitos do consumidor, abrindo caminho para uma ação cível por parte do Ministério Público. A utilização de informações de terceiros no título da mensagem sem o consentimento das partes interessadas também pode ser enquadrada dessa forma. Além disso, é altamente provável que esse tipo de ação leve à inclusão de sua empresa na RBL.

Não se sabe muito bem como esses conceitos serão implementados na prática: as primeiras ações judiciais relacionadas com o spam chegaram aos tribunais muito recentemente e teremos de esperar para ver como serão julgadas. Segundo Max Ochoa, jurista da Cooley Godward, "esta é uma área complexa do direito e está evoluindo rapidamente. Há um número grande de leis estaduais, que levantam várias questões jurisdicionais e substantivas de difícil resolução. Os tribunais terão de resolver essas questões. Além do mais, ninguém sabe o que o Congresso vai fazer. Portanto, acho que os próximos anos serão muito interessantes". Interessantes para os advogados, talvez, mas potencialmente muito caros para marqueteiros desleixados.

Conclusão
Enquanto a comunidade legal continuar a debater como se deve tratar o spam, a comunidade da Internet talvez tenha de procurar respostas em outro lugar. "Independentemente das leis que vigorarem no território em que o spammer ou suas vítimas estão, para nós a prática de spam configura furto de serviços," declara o Web site da MAPS RBL. "Os usuários da Internet não pagam suas mensalidades aos provedores de acesso para serem perturbados. Nenhum de nós comprou seu computador ou modem para que sejam utilizados por falsos anunciantes. Desde os tempos da ARPAnet original, as regras escritas da comunidade Internet (ver os RFCs sobre ‘Netiqueta’ e seus precursores da Usenet) exigem que cada um de nós se abstenha de irritar outros cidadãos da Internet intencionalmente."

Isso nos leva de volta ao opt-in confirmado, a melhor maneira de evitar o problema por completo e ainda ter sucesso online. O opt-in confirmado protege os cidadãos da Internet contra a irritação e ajuda a preservar a utilidade do e-mail como ferramenta de comunicação e marketing. Em uma época de poder sem precedentes para o consumidor e de intensa concorrência, simplesmente não vale a pena correr o risco de deixar seus clientes irritados.

Anexo

Se você quiser continuar a reunir boas idéias sobre como evitar o spam, recomendamos as seguintes fontes online:
Mail Abuse Prevention System (MAPS) http://www.mailabuse.org.
O site da poderosa lista negra Realtime Blackhole List (RBL), utilizada por quase um terço de todos os administradores de e-mail como filtro para excluir o spam automaticamente. Contém uma explanação da RBL, procedimentos para denunciar os spammers à RBL, dicas sobre como ficar fora da RBL e uma lista de domínios que assinam a RBL, entre outros.

Newsgroups Usenet, especialmente o NANAE
news://news.admin.net-abuse.email.
Newsgroup que debate incidentes de spam e origina indicações à RBL com uma certa freqüência. Há também os sites news.admin.net-abuse.misc (sobre o abuso dos recursos de rede inclusive o spamming), news.admin.net-abuse.sightings (um grupo moderado para identificações de abuso da Internet) e news.admin.net-abuse.policy (para discussões sobre políticas de combate ao abuso da Internet).

The Network Abuse Clearinghouse
http://www.abuse.net
Serviço que encaminha relatos de comportamento abusivo aos administradores de sistemas e tenta manter uma lista-mestra de endereços onde os usuários da Internet podem denunciar abusos. Não é uma lista negra do tipo RBL.

ClickZ Network
http://www.clickz.com
Dedicado ao marketing na Internet, o site da ClickZ apresenta vários artigos sobre o marketing por e-mail, tais como "Opting Out of the Opt-In Debate," (Optando pela Exclusão do Debate sobre o Opt-In), "Top 10 Tips to Writing Email That Sells" (As 10 Dicas Melhores sobre como Redigir E-Mails que Vendem) e "Email Marketing Done Right" (Como Fazer Bem o Marketing por E-Mail).

Sobre a MessageMedia

A MessageMedia (Nasdaq: MESG) é um líder no fornecimento de serviços de gestão de relacionamentos com clientes e marketing direto baseados no e-mail. A empresa oferece um conjunto abrangente de serviços terceirizados relativos ao envio de mensagens informativas, comércio eletrônico, marketing direto baseado em permissão, comunicação permanente com clientes e soluções para feedback com clientes em tempo real através dos protocolos de Internet padronizados pelo mercado. A carteira de clientes da MessageMedia inclui instituições financeiras, editoras, empresas de marketing direto, varejistas, fabricantes de software e empresas de comércio eletrônico. Entre os principais clientes estão E * TRADE, AOL, Apple, Yahoo!, Microsoft, GeoCities, Intuit, CMP Media, Barclays Bank, EDS, CNBC, Universal Studios e Bertelsmann.

Recentemente, a MessageMedia lançou uma iniciativa relacionada com a privacidade dos consumidores que visa promover o marketing responsável por e-mail e o respeito pela privacidade online.

Você pode entrar em contato com a MessageMedia de várias maneiras:

Web:
http://www.messagemedia.com
Tel: 303-440-7550
Fax: 303-440-0303






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