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15 de agosto de 2003      


QUANTO VALE O CLIENTE EM UMA EMPRESA FOCADA EM SCM E CRM?
Por Christopher Helm, Editor Executivo

Os jargões de empresas integradas estão se tornando uma realidade no vocabulário de negócios de hoje em dia: value network, colaboração, foco no cliente, ecossistemas, integração SCM-CRM (Supply Chain Management - Customer Relationship Management), etc. Mais ainda, as empresas estão investindo em iniciativas em torno destas expressões, e poucas forças no mundo dos negócios ajudam a transformar tendências em realidade que o dinheiro.

Um novo relatório do Yankee Group relata que os investimentos em soluções de "integração de cadeia de suprimentos com o objetivo de melhorar a interação com o cliente e reduzir custos de estoque" crescerão 12 por cento em 2003. A maioria dos investimentos será liderada por grandes empresas, que são capazes de comandar a tecnologia de integração entre empresas, como por exemplo a Intel e o Wal-Mart, diz Jon Derome, gerente de Aplicações de Negócios e Comércio do Yankee Group. Mas, diz ele, "melhorar o serviço ao cliente e simplificar o fluxo de suprimentos são determinantes de investimentos ainda mais poderosos."

O CRM também está crescendo, mesmo com os recentes solavancos do mercado de soluções corporativas, advindos da questão entre PeopleSoft e Oracle. Uma recente pesquisa do Meta Group identificou que 75 por cento dos entrevistados planejam investir a mesma quantia ou mais que nos últimos 12 meses. Adicione-se a isso também os investimentos em integração de processos, soluções de gestão corporativa de aplicações e outras tecnologias de colaboração, e o ‘embalo’ em direção à empresa integrada e focada no cliente aumenta mais ainda.

Desenvolvendo a análise de gaps

Com todo o dinheiro investido, o planejamento estratégico e a consolidação de fornecedores focados em oferecer funcionalidade de ponta a ponta parece que a empresa integrada (ou ágil, adaptável, sem emendas, escolha seu adjetivo), é uma conclusão lógica. Mas um obstáculo chave ainda permanece: o entendimento claro do valor individual dos clientes para a empresa. Se o objetivo corporativo é aumentar a rentabilidade através da condução da transação certa no momento certo e com o cliente certo, um melhor entendimento do valor dos clientes e de suas necessidades precisa ser desenvolvido.

Pense a respeito. Como alocar seus recursos de maneira mais inteligente se não se sabe quais são os clientes de maior valor, quais oferecem o maior potencial de crescimento e quais geram prejuízo? Como melhorar a precisão do planejamento e previsão de demanda se não é possível identificar a mudança de valor e necessidades de seus clientes durante seu ciclo de vida? Independentemente de inovações tecnológicas, sem o conhecimento de quais clientes são os de maior valor para sua empresa, você pode estar simplificando seu caminho para o prejuízo.

Os fornecedores têm uma resposta para este dilema: tão rentável quanto promete (Profitable to Promise - PTP). O PTP tenta responder a questão, “devemos fazer um esforço extra com base no valor desse cliente para nossa empresa?” Mas como desenvolver isso em processos de retaguarda como gerenciamento de demanda, controle de estoques e gestão de pedidos continua vago. Do ponto de vista do fornecedor, calcular o valor do cliente remete à questão de confiabilidade do cliente – confiar no julgamento do relacionamento pelo vendedor ou executar uma análise de crédito antes de colocar o pedido. Esse nível de conhecimento, contudo, não é suficiente para a empresa integrada tornar-se real.

Unindo as partes

Apesar de muito se falar, os mais eficazes indicadores para medir o valor do cliente – como o valor potencial – tendem a ser deixados em segundo plano. O valor potencial mede as oportunidades não concretizadas: Quanto do negócio do cliente é feito com a concorrência? Quanto mais desse volume pode ser capturado se o tratamento for modificado? Este é o tipo de conhecimento dos clientes necessário para elevar a integração da cadeia de suprimento e demanda para um próximo patamar.

O campo - aliás, quentíssimo - do CRM analítico está focado em responder questões como essas. E obviamente, há crescimento de investimentos nessa área. A AMR Research estima que os investimentos em aplicações analíticas crescerão até próximo de US$ 4,4 bilhões em 2005. A boa notícia: as empresas reconheceram o elo que faltava e estão levando a sério o investimento para obter mais resultados sobre o imenso valor da sua base de clientes. Mas será que o investimento valerá a pena desta vez? Transformar a empresa integrada de discurso em realidade de negócio pode depender somente disso.

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A INTEGRAÇÃO ALIVIA AS DORES DO CRESCIMENTO CORPORATIVO
Por Tom Spitale, Diretor

O crescimento é sempre visto como positivo numa empresa, mas o rápido crescimento corporativo pode algumas vezes levar a certas desconexões dentro dos diferentes departamentos de uma empresa e entre eles. Esse foi o caso da Waters Corp., um importante fabricante de equipamentos de laboratório que atende o setor farmacêutico, agrícola, indústria e governo.

A Waters viveu um grande crescimento e adquiriu quatro empresas na última década, o que foi ótimo para seus resultados, mas criou preocupação nas operações em longo prazo. Depois que a poeira baixou, a Waters elevou fortemente suas vendas de US$ 332 milhões em 1998 para US$ 890 milhões em 2002, com 3.500 funcionários em 48 paises. Todavia os dados vitais do cliente residiam em 30 sistemas separados por todo o globo. A empresa não podia coletar e distribuir a informação do cliente tão facilmente como antes. A Waters sempre considerou os relacionamentos com os clientes de importância crítica para seu negócio de nicho, mas descobriu que sua infra-estrutura tecnológica não podia suportar a sua filosofia de orientação ao cliente. Como a Waters poderia manter o relacionamento íntimo com o cliente depois do seu rápido crescimento? A resposta foi integração.

Melhorando os serviços para os atuais clientes

A companhia iniciou uma jornada para criar uma base de dados central que pudesse ser acessada pelas áreas de vendas, marketing, atendimento ao cliente e pela Internet para desenvolver e dar suporte a suas ações de marketing direto. Usando ferramentas da SAP, a Waters limpou seus bancos de dados, permitindo à empresa enviar comunicações mais dirigidas para grupos determinados de clientes. Sua operação na área de química, por exemplo, pode agora enviar três campanhas adicionais por ano, gerando uma receita extra de 120.000 dólares por ano. Mais que isso, a resposta média das campanhas de marketing direto subiu mais de 50 por cento desde que as campanhas começaram, diz Art Caputo, Presidente de Divisão da Waters. A companhia aumentou sua proximidade com o cliente ao compartilhar informação em todos departamentos que têm contato com o cliente.

A integração de dados também aumentou a eficiência da empresa. Antes, quando um dos 600 engenheiros da Waters fazia um conserto, ele não necessariamente sabia se o contrato de manutenção do cliente ainda estava vigente. A Waters acabava realizando gratuitamente serviços de manutenção, em vez de gerar receita cobrando as garantias expiradas. Agora, a Waters trabalha sobre os contratos de serviço antes que eles expirem, oferecendo upgrades e extensões e pode, também, acompanhar o histórico de reparos do cliente para antecipar futuros consertos e serviços a serem prestados. Esses serviços contribuem com 18 por cento do resultado da companhia.

Atingindo os Clientes Potenciais

Além disso, a Waters tomou algumas medidas para alinhar suas operações de vendas em toda empresa. Antes de implementar um plano de vendas com acesso remoto em 2000, os representantes de venda gerenciavam o processo de gerar um lead e convertê-lo em uma oportunidade. Esse modelo limitava a interação entre os representantes e os gerentes, explica Caputo. Com o novo sistema de “mobile sales”, os representantes agora têm acesso a todo o conjunto de clientes em seu laptop, onde podem atualizar e compartilhar informações sobre leads.

Como resultado, o grupo de química da Waters obteve um retorno de mais de US$ 800.000 pelo processo de melhor qualificação de leads. Ao mesmo tempo, os executivos de marketing e vendas podem ter a previsão de vendas para acompanhar o desempenho da equipe. O ciclo de vendas por telefone foi reduzido de 180 para 150 dias, economizando outros US$ 300.000 para a Waters.

Resultados

De acordo com um estudo realizado pelo Peppers and Rogers Group sob encomenda da SAP, o investimento de 5,1 milhões de dólares feito pela Waters em CRM trouxe um retorno líquido de 2 milhões de dólares até o momento e uma taxa interna de retorno de 35 por cento. A companhia espera atingir uma taxa interna de retorno de 49 por cento até 2004. “Nós esperávamos que o retorno fosse alto, e estamos satisfeitos com os resultado”, diz o CFO (Chief Financial Officer) John Ornell.

A companhia, entretanto, não pretende parar por aí com suas ações com foco no cliente. Caputo diz que a empresa está estudando o uso de modelos preditivos de vendas, análises quantitativas de marketing e outras estratégias mais profundas de relacionamento com clientes. O objetivo é utilizar a informação dos clientes para aumentar o nível de fidelidade, a receita e os lucros.

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BALANCED SCORECARD E O CRM
Por Luiz Gustavo Sedrani e Rogério Caiuby, consultores da Symnetics

Qual a relação existente entre o Balanced Scorecard (BSC) e o Customer Relationship Management (CRM)? Antes aprofundar essa discussão, vamos apresentar de forma bastante sucinta cada um dos conceitos independentemente.

No contexto estratégico empresarial, o BSC tem sido utilizado para suportar o acompanhamento da implementação da estratégia da empresa, ou seja, uma vez definido o caminho a ser seguido para alcançar a visão de futuro, o BSC se propõe a gerir esse caminho, provendo às empresas ferramentas de tradução, mobilização, comunicação, alinhamento, controle e gestão da estratégia.

O CRM, por sua vez, tem sido utilizado para alinhar a organização em torno do cliente e não mais em torno do produto. O conceito é baseado em informação, conhecimento do cliente e uso adequado de tais dados, objetivando estruturar os processos de tal forma a permitir a maximização dos resultados de todos os pontos de contato da empresa com o cliente.

Assim, com o BSC, a empresa explicita qual é a sua estratégia de relacionamento com os clientes, traduzindo de forma balanceada os objetivos estratégicos relacionados ao mercado e aos clientes, a proposta de valor da empresa (identificação dos atributos valorizados pelos clientes e definição de quais desses atributos a empresa irá enfocar para ter vantagem sobre seus concorrentes), indicadores de acompanhamento, metas de longo prazo e projetos que garantam que a organização se movimente em busca da sua visão de futuro.

É importante ter claro o que se busca quando falamos em intensificar a integração entre a gestão do relacionamento com o cliente e um modelo de gestão estratégica como o Balanced Scorecard. Um dos principais ganhos desse modelo integrado é orientar e alinhar a organização em torno do cliente, conhecendo-o cada vez mais, objetivando: 1. Reduzir custos de clientes não rentáveis; 2. Adquirir clientes de alto valor; 3. Aumentar a participação nos clientes de maior potencial - cross sell e up sell; 4. Manter os clientes de alto valor – criar barreiras de mudança.

Assim, os conceitos e ferramentas providas pelo CRM devem suportar estes objetivos, trazendo de forma sistêmica para dentro da empresa informações referentes aos clientes da base e do mercado. Assim a empresa poderá conhecer cada vez mais o perfil do cliente ideal e, futuramente, desenvolver produtos, serviços e uma comunicação direcionada para cada cliente, alinhados às suas necessidades específicas e seu valor para a empresa.

O BSC, por sua vez, provê conceitos e ferramentas para monitorar qual a efetiva contribuição desses objetivos para a estratégia da empresa, além de permitir o desenvolvimento de um aprendizado estratégico contínuo, o que garante a permanente evolução da estratégia de relacionamento com o cliente e seu alinhamento à visão da organização.

Desta forma, é possível perceber que os dois modelos são bastante complementares, promovendo ganhos através de sinergias conceituais e práticas, no sentido de orientar a organização em torno da Estratégia, utilizando o Cliente como o principal pilar de sua formulação.

Este tema será novamente abordado em outras edições do Inside 1to1 como também no evento “2003 Balanced Scorecard Latin America Summit”, organizado pela empresa de consultoria Symnetics, afiliada ao Balanced Socrecard Collaborative para toda a América Latina. Nessa oportunidade Valsoir Tronchin, sócio do Peppers and Rogers Group, fará uma palestra sob o tema “BSC & CRM: Integrando a Gestão do Relacionamento com o Cliente com a Gestão Estratégica”, no dia 27 de agosto de 2003. Conheça a programação completa no Web site: http://www.symnetics.com.br/summit2003/

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COMPROMISSO DOS EXECUTIVOS CONDUZ AO ROI

Os gerentes de projetos sabem que para ter sucesso é necessário contar com um líder para conduzir iniciativas dentro de uma organização. Sem o compromisso da alta gestão, até mesmo projetos com real potencial podem falhar. Para iniciativas orientadas ao cliente, essa teoria é especialmente significativa.

Iniciativas orientadas ao cliente freqüentemente requerem uma equipe composta por diferentes departamentos dentro da empresa. Mesmo em pequenas implementações, funcionários das áreas de TI, marketing, serviços ao cliente e outros, têm de trabalhar juntos para assegurar que as informações certas sobre o cliente sejam capturadas e devidamente transformadas em ações práticas. O compromisso da alta gestão é absolutamente crítico para um projeto ser bem sucedido. O papel dos executivos é formular a estratégia subjacente que alinha os processos táticos, definir objetivos de ROI e transmitir entusiasmo em todo o projeto. De acordo com o Gartner Group, 75 por cento das iniciativas que não apresentam um ROI mensurável falham por causa da falta de envolvimento dos executivos. O relatório do Gartner, “Building Business Benefits from CRM” (Construindo Benefícios de Negócio a partir de CRM), explica que o alinhamento entre os processos de negócio, a tecnologia e a estratégia é que conduzirão ao ROI.

“Além de gerar resultados e valor mensuráveis, implementações de tecnologia devem estar alinhadas aos objetivos estratégicos”, diz Joe Galvin, Vice-Presidente e Diretor de pesquisa do Gartner. “Para aumentar as chances de sucesso de um projeto, foque em garantir que a implementação da tecnologia esteja alinhada aos benefícios específicos de negócio e que apresente um ROI mensurável”.

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CLIENTES SATISFEITOS PODEM NÃO SER FIÉIS

As seguradoras e os fornecedores de serviços financeiros são freqüentemente admirados como possuidores de estratégias orientadas para o cliente mais avançadas do que as de outras indústrias. Eles tendem a capturar mais dados e mantêm uma comunicação regular com os clientes, tornando o CRM uma conseqüência natural. Contudo, um relatório fornecido por uma empresa especialista em pesquisa sobre fidelidade, o Walker Information Group, coloca uma nuvem sobre essa indústria revelando que 66 por cento dos participantes pesquisados não são fiéis.

Dos 767 executivos pesquisados, 75 por cento estão satisfeitos com seus atuais fornecedores de serviços financeiros e seguradoras, mas apenas 34 por cento são fiéis. Trinta e um por cento estão na área considerada de alto risco para abandonar o relacionamento assim que seus contratos terminem, e outros 33 por cento sentem-se presos – eles provavelmente continuarão a fazer negócios com a empresa porém não estão confortáveis com o relacionamento. Esses números são maiores do que na indústria de software, onde apenas 29 por cento dos usuários sentem-se presos ao relacionamento com a empresa.

A satisfação do cliente é um atributo de curto prazo importante quando consideramos o estágio atual da base de clientes. Isso pode funcionar inicialmente, mas não contribui para adicionar valor para os clientes em longo prazo. A satisfação é o primeiro passo para construir a fidelidade, mas isso não significa que a fidelidade irá acompanhar os mesmos índices. As empresas devem se comprometer com o cliente, no nível mais alto, e ir além da satisfação. A fidelidade faz com que o cliente crie relações fortes e valiosas e é necessária para aumentar a participação no cliente ao longo do tempo.

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A EUROPA ABRAÇA O CRM ANALÍTICO

Não é suficiente apenas coletar dados de clientes. As empresas agora enxergam o impacto real de explorar a fundo o comportamento do cliente. Definir o comportamento do cliente pode fazer muito pelo futuro da empresa em relação a seus clientes. Na Europa, assim como na América do Norte, o investimento em estratégias de análise está crescendo, e agitando o mercado de Business Intelligence (BI).

De acordo com a empresa de pesquisa IDC, o mercado da Europa Ocidental para ferramentas de BI alcançou US$ 1,2 bilhões em receitas em 2002, representando um crescimento de 1,9 por cento em relação a 2001 – com muito do novo investimento em estratégias de CRM Analítico. As empresas finalmente são capazes de embasar teorias com estatísticas mostrando os impactos positivos das ferramentas de análise. O IDC também relata que as implementações de CRM Analítico geraram um ROI (retorno sobre o investimento) médio de 431 por cento em 5 anos, e 63 por cento das empresas estudadas obtiveram ROI em 2 anos ou menos.

Mas assim como em outras iniciativas, as empresas necessitam de estratégias robustas e dados confiáveis para obter benefícios do CRM Analítico. O IDC recomenda que as empresas definam exatamente o que precisam saber sobre os clientes e, então, se foquem na qualidade dos dados para obter o máximo de resultados em uma implementação desse tipo de ferramenta.

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